dias atrás me perguntei qual era a minha relação com o tempo. dizem que saber lidar com o tempo é saber esperar por ele e deixá-lo trabalhar: dando e tomando, mostrando e escondendo, repetindo e surpreendendo a vida. acho que pra lidar com o tempo é preciso não conhecer nada sobre ele. eu, pelo contrário, sei dele muito bem: não consigo me atentar a essas coisas que ele faz acontecer. me desespero querendo viver e sentir logo, mas conheço muito bem o tempo: logo ele me mostra a transitoriedade, o corriqueiro “estar”.
quando sou intenso e falo e rio e lamento e choro várias vezes em pouco tempo, é não porque me esqueço que tudo passa logo. mas sim, porque já sinto a mim e tudo que acredito ter escorrendo, num deslize indiferente, por entre os dedos de um Criador indecifrável, virando lembrança_ quase sempre vaga_ e perdendo o gosto.
já fui ingênuo o suficiente pra acreditar que algo seria pra sempre, e mais, quis que fosse pra sempre. hoje, essas coisas me servem só pra preencher memória.
a vida é assim: fotos que a gente guarda numa caixa e que, de velhas, perdem o traço e a cor gradativamente, se transformando num branco irreconhecível.
—Texto extraido do blog Estevan Sem Metafísica



